
A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Grândola procurou com as Jornadas decorridas nos passados dias 19, 20 e 21 de Novembro de 2007, criar espaços de reflexão e de troca de experiências na área dos Maus-Tratos na Infância e Juventude. Pensamos que foi um grande sucesso, soube a pouco, sim, mas foi de grande utilidade, penso que seja essa a perspectiva da cerca de uma centena de técnicos de diferentes áreas que de uma forma assertiva partilharam experiências e reflectiram sobre os Maus-Tratos na Infância e Juventude.
As Jornadas foram abertas com a perspectiva do Direito contando para tal com a presença da Dra. Elsa Mendonça, a qual apelou ao dever Moral e Ético de sinalizar quem de forma “animalesca” maltrata uma criança, porque, e se atendermos que “para educar uma criança é necessária toda uma aldeia”, rapidamente depreendemos que os Maus-Tratos a crianças são também da nossa responsabilidade e que não devemos nem podemos passar indiferentes.
No dia 20 de Novembro, a ordem do dia era para questionar o que falha nos casos de Maus-Tratos, ao que o Dr. Jorge Souto da Comissão nacional, respondeu que “o que falha é a própria família, porque se esquece de si própria, dos seus valores e dos seus objectivos”, alertando para a necessidade da Multidisciplinaridade da intervenção, para o respeito que os técnicos têm que ter pelas famílias e pelas próprias crianças, bem como a sobreposição e egoísmo técnico só levam a que muitas crianças continuem a ser vitimas de agressões".
Contudo, a CPCJ não esqueceu as cerca de 19000 crianças institucionalizadas e trouxe a Grândola a Dra. Dina Horta e a Dra. Paula Corte Real do Centro de Acolhimento “a Porta Aberta” em Palmela, as quais deram conhecimento da triste realidade do mundo da institucionalização, crianças esquecidas, cujo regresso à família é, na maior parte das situações, impossível porque os serviços e a comunidade puramente se esquecem das suas crianças, mas as técnicas acrescentaram “todos temos que apostar na família, todos temos que intervir em conjunto e quando o regresso é impossível assumi-lo para que a criança possa ser adoptada.
Assim, com estas Jornadas a CPCJ conseguiu uma grande reflexão sobre os Maus-Tratos em cerca de uma centena de participantes, estas fecharam com as palavras do Presidente da CPCJ, Ismael Martins “em 2006 Portugal teve 69 crianças em situação de Perigo por dia, este flagelo afecta todas as classes sociais, compete-nos a nós sociedade sinalizar os agressores, fazer valer os direitos dos mais pequenos, porque a culpa tanto é MINHA como SUA, depende de todos nós proteger as NOSSAS crianças e proporcionar-lhes um futuro sem Maus-Tratos!




